20091008

Antes das magoas


“A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal.”
Inês Pedrosa, citada por Martha Medeiros no livro, Doidas e Santas

Uma vez, conversava com uma amiga sobre final de relacionamentos. À época, estava em processo (dolorido) de chute na bunda e argumentei de forma contundente:
- As pessoas deveriam separar-se enquanto ainda existe amor!

Ela me olhou como se eu estivesse negando a virgindade de Maria e escandalizada, quase me excomungou. Eu entendo que minha declaração foi um tanto complexa para um primeiro olhar, porém hoje, não sinto que esteja muito longe da verdade... ou antes, da minha verdade. Melhor seria... Claro que não é assim que acontece. Claro que enquanto há amor, as pessoas querem mais é ficar juntinhas e, para todo o sempre. Minha opinião dizia respeito a sair sem precisar bater a porta. Sair, antes das mágoas, das ofensas, tão desnecessárias e tão óbvias. Sempre que um relacionamento termina, é inevitável a dor, pelo menos para uma das partes envolvidas e é disso que trata o poema citado por Martha Medeiros. Pois quis o destino que eu confirmasse a minha tese. Um relacionamento acabou antes do desgaste.
Acabou quando ainda era refinado e cheio de magia.
Não houve portas batendo e nem mágoas inesquecíveis e como diz Inês Pedrosa: “... é uma forma de amor inviável, que, por isso mesmo, não tem fim...”.
A antítese é que, não há como partir sem dor.