
Um prazer cada vez mais raro
Muito prazer me chamam de otário
Tudo bem, até pode ser
(ENGENHEIROS DO HAWAII)


Eu queria te falar que se você entrar nessa eu entro também. Ou já entrei, não sei. Devo ter entrado, e já devo estar com água até os joelhos. Não tem jeito eu sou assim. Minha alma é perdida e o meu corpo é oferecido. Eu sou oferecida. Sempre fui. De peito aberto e a carne crua para matar a fome. Eu sou só o corpo. Um corpo inabitado e a alma rouca. Talvez um braço estendido esperando alguém me puxar pela mão e me levar. E se você quiser eu vou. E de olhos fechados que é pra sentir as borboletas no estomago. As tuas (...) e agora em mim. Eu sei que não deveria estar assim. E que eu deveria fazer alguma coisa para me parar antes. Você deveria me parar. "... porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. " Ou quem sabe esperar um dia nublado pra te ligar. Te convidar prum café e debaixo da mesa te sussurrar essas coisas. Nem que fosse de olhos fechados. Também não, que de olhos fechados eu esperaria um beijo roubado. Mas é que algumas coisas ficam melhor no papel. E muitas delas simplesmente brotam de mim. E sabe, gosto delas assim. Escapando pelos dedos. Até mesmo essa minha covardia em forma de prosa. E um pouco de poesia que é pra você não reparar. Eu nunca tive receio em derramar toda minha amargura e tampouco despejar toda minha doçura. Então me leva. E me guia que eu não posso mais ir sozinha. De uns tempos pra cá eu perdi meu senso de navegação. É simples e previsível: sou uma pessoa solitária. E se você soltar da minha mão tudo bem. Eu espero você voltar. E se não voltar eu fico ali até alguém me puxar. Sempre foi assim. Eu sempre fui assim. É o meu canto, meu lago, meu abraço. Incorrigivelmente desmedida.)









Me pareceu meio assustado Assim como estouro da boiada Mas a doçura não deu pra esconder E eu tive certeza aquela hora
De não te deixar mais ir embora
Eu tinha um cantinho pra você ficar
Alguma coisa gritou no peito
Pra que eu me virasse e desse um jeito
E assim no momento certo te laçar
Andorinha, busquei te buscar
Passaria a vida a te amar
Às vezes chegava meio aflito
Tentava abafar no peito o grito
Você se escondia pra não me encontrar
E nem dava a chance d'eu chegar
Olhar nos teus olhos e mostrar
O tanto de amor que eu tinha pra te dar
E quando eu olhei pro teu clarão
Queria na fúria da paixão
Guardar no teu peito a minha solidão
Pedi tua luz pra me guiar
Qual cego de amor te acompanhar
Em tuas mãos meu destino entregar
E eu sabia, sabiá, meu peito era feito pra te abrigar
E hoje pousado no meu peito
Teus olhos brilham do mesmo jeito
Parece que a lua mora em teu olhar
E a luz que ilumina uma cidade
Luz de ternura e de bondade
Que só me dá saudade de lembrar
Lembro a primeira vez,
Teu lindo olhar valia a pena
Corria o estado todo pra encontrar
Era um raio de luz divino
E eu cometi o desatino
De permitir um raio me cegar
Andorinha, sabiá
Meu corpo é teu porto a te esperar
Traz teu sorriso e alma
A paz e a calma pra me acarinhar
Sem você, sem carinho
Sou um passarinho fugido do ninho
Com medo de amar
Em nosso altar, nosso cantinho
Desvenda o caminho
Me chama a pousar
É sede o que eu sinto
Que brota em você
A única fonte onde eu quero beber